...palavras são o que teimamos em usar para vesti-las.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Nascida para o que, mesmo?

Um dia desses vi na televisão a Susan Boyle, aquela senhorinha esquisita que virou um hit depois de participar de em um concurso de cantores na Inglaterra. Não sei cantar, e nunca quis ser cantora, mas preciso confessar que fiquei com uma inveja danada da D. Susan, não pelo sucesso repentino, mas por causa de uma declaração que ela fez no programa da Oprah Winfrey (sim, eu assisto). A senhorinha disse, com uma certeza desconcertante, que sabe exatamente para o que veio ao mundo, e que não tem a menor dúvida que hoje faz precisamente o que nasceu para fazer.

Imagine ter a segurança, a todo tempo, que não há nada, neste mundo, que você poderia fazer melhor do que o que você já faz. Caramba! Estatisticamente, as chances são bem pequenas, afinal de contas, existe um mundo de possibilidades lá fora, um monte de coisas diferentes para se fazer, e, em geral, somos expostos a um ínfimo número delas. Simplesmente escolhemos uma, e torcemos para que dê certo.

Por exemplo: se o indivíduo cisma que quer ser médico, vai passar pelo menos uns dez anos se preparando para isto. E se, chegando lá, digamos, uns dois anos depois da residência, algum fato da vida vier a lhe revelar que, na verdade, ele nasceu para ser astronauta? Já era. Dificilmente haverá tempo para mudar a rota e investir naquilo que ele efetivamente deveria estar fazendo. Afinal de contas, astronautas, atletas, físicos e grandes pintores, assim como um monte de outros profissionais, a exemplo dos médicos, precisam começar cedo.

Talvez seja só eu, e você não esteja vendo sentido algum no que estou tentando dizer. De fato, normalmente não percebo nas pessoas essa mesma ansiedade, e provavelmente elas estão certas. Cada um faz aquilo que a vida lhe oferece, e tenta fazer da melhor forma possível. Acertar na mosca (a mosca sendo a atividade que melhor aproveita os seus talentos inatos) é privilégio para poucos, ainda mais se for de primeira. Na verdade, sejamos realistas: a maioria das pessoas sequer pode se dar ao luxo de escolher o que fazer para ganhar a vida.

Eu tive a chance de escolher minha profissão, não só uma, mas duas vezes. Sou muito grata por isso, especialmente por que na segunda escolha encontrei uma forma muitíssimo mais eficiente para usar o que acredito serem os meus talentos. Ainda assim, confesso que às vezes me pego pensando se um dia poderei afirmar, com o mesmo grau de firmeza e segurança, o que disse a D. Susan, que sabe que nasceu para cantar. Vai ver que no meu caso... eu nasci foi para conjecturar.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O danoninho nosso de cada dia

Já reparou como gastamos boa parte do nosso tempo pensando em coisas que sequer existem? O amanhã é um bom exemplo. Olhe aí para o seu relógio. Até a meia noite de hoje, o amanhã simplesmente não existe. Não se trata de discutir se ele existirá ou não, com aquela velha conversa de que “basta atravessar a rua...”. Nada disso. A questão se limita aos fatos. Neste momento, ele não existe. Ponto final.

Então, por que será que nos dedicamos tanto a imaginar como ele será? E pior, quando o amanhã finalmente chega, lá estamos nós pensando no dia seguinte, e seguinte, numa interminável especulação sobre o que vem por aí. Parece um mal bastante comum, tanto é que garante o sustento de um bando de profissionais, de economistas a meteorologistas, para não falar nos praticantes de modalidades menos respeitadas de adivinhação. Mas parece que nem sempre fomos assim, ao menos, não quando éramos crianças.

Neste último feriado, o Léo – aquele mesmo, o do leão – voltou à nossa casa. Do dia em que ele chegou, até o dia em que o levamos embora, eu só conseguia pensar em como será a vidinha dele, dependendo do que o juiz vai decidir (quando V. Excelência decidir decidir, é claro).

Será que o Léo um dia vai se formar na faculdade, ou vai largar a escola cedo? Será que ele vai se lembrar que é feio pegar sem pedir emprestado, ou vai se render aos conselhos das más-companhias? Será que ele vai esquecer a sensação de abandono que experimenta desde tão pequenininho, ou vai transformá-la em revolta, em algum ponto do caminho?

Já ele... quanta preocupação! Se deliciou com a água gelada no rasinho da praia, comeu tantos danoninhos quanto pôde, assistiu mais uma vez o seu filme preferido na televisão, dormiu no nosso colo no sofá, fez birra para ir para a cama. Viveu aqueles 4 dias intensamente, sem pensar no domingo que estava chegando. Sem pensar nos meses e anos incertos que estão por vir. Sábia decisão: afinal de contas, o que pode ele em relação ao seu futuro, do alto do seu 1 metro de estatura?


Tentei ensinar o Léo a amarrar o cadarço do próprio tênis. Ele me olhou fixamente, com a testa bem franzida, e as palmas das duas mãozinhas viradas para cima, em sinal de completa indignação:

“Mas, tia, eu só tenho 4 anos!”  

Boa Léo! Às vezes falta a nós, adultos, reconhecermos a nossa pequeneza e impotência diante dos fatos da vida. Quer saber? Façamos a nossa parte hoje, e que venha o amanhã, como tiver de ser. Eu vou é imitar o menino, e comer meu danoninho sossegada, um dia de cada vez.

sábado, 29 de maio de 2010

Atletas da vida

Há algum tempo decidi pular da cama mais cedo e ir nadar às seis da manhã, antes do trabalho. O congestionamento infernal depois das sete e meia tem sido um grande estímulo para abrir mão de uma hora de sono, em troca de um começo de dia sem stress. Atualmente, a CET só ajuda quem cedo madruga, e olha lá. Mas não tem sido esse o único benefício do novo hábito.

Logo nos primeiros dias me surpreendi com a freqüência da academia nesse horário. Justamente quem não tem mais compromissos, e tem o dia todo para ir onde quiser, faz questão de aparecer por lá logo no primeiro horário, como eu.

Aos poucos, elas vão chegando, uma a uma, carregando suas malinhas, maiôs e toucas, prontas para a hidroginástica, que, tenho certeza, não passa de um pretexto para aquele encontro animado no vestiário, todas as manhãs.


É a turma da terceira idade. Um bando barulhento de senhoras, no auge dos seus setenta e poucos anos, com muito mais assunto do que qualquer turma de adolescentes no vestiário da escola. Cabelos de todos os tons, do vermelho vivo, daquelas mais extrovertidas, ao branquinho elegante daquelas que exibem com orgulho a prova da sua vivência.

Ali, não trocam apenas de roupa. Trocam dicas sobre os passeios da semana, relatos sobre filhos, netos e noras, convites, receitas, vivências. Riem de si mesmas , queixam do joelho que dói, mas logo ajeitam a alça dos maiôs uma das outras e vão para a piscina, ainda tagarelando: “você paga para mim o passeio para Poços, eu te dou na semana que vem?”

É um burburinho gostoso de ouvir... Ajuda a lembrar que a velocidade da vida um dia diminui, e que a pressa para secar o cabelo correndo para chegar ao trabalho um vai dar lugar a uma pressa diferente. Afinal de contas, elas ainda correm. Correm atrás do tempo que passaram dentro de casa cuidando de filhos e dos maridos, ou trabalhando atrás de um caixa de banco, como algumas já comentaram. Correm para aproveitar o dia, como a D. Francina ajeitando com destreza a prótese de mama sob o maiô, enquanto me conta como venceu a doença, há mais de 20 anos. Já sabem o que importa na vida. Já não perdem tempo com o que não importa.


Mais de uma vez, ali no vestiário, ouvi de algumas dessas atletas: “Ah, minha filha, foi o tempo em que eu tinha esse corpinho...”. Minha resposta é sempre a mesma. “E está para vir o tempo em que eu vou saber tudo o que a senhora já sabe, é ou não é?”. Elas riem, mas sempre concordam.

sábado, 24 de abril de 2010

Minha dupla

É no dia-a-dia que conhecemos quem vive com a gente. Um pouquinho a cada dia. É por isso que eu acho que o tal amor à primeira vista não existe. Impossível. Seria uma inversão da ordem natural das coisas: amar, para depois conhecer? Não acho que funciona assim. Amamos ou deixamos de amar, na medida em que conhecemos.

É no dia-a-dia que vamos percebendo as qualidades e os defeitos, as reações e as omissões, aquilo que nos causa admiração e aquilo que preferiríamos não ver. De posse dessas informações, vamos lentamente consolidando - ou desfazendo - o desejo de ficar juntos, de viver em dupla.

Mas é naqueles dias menos comuns, aqueles das situações inusitadas, difíceis ou mais críticas, que este conhecimento vem em doses maiores, e pode nos surpreender, mesmo após alguns anos de convívio. Assim tenho ouvido falar, e experimentado.

Recentemente, no meio das nossas férias, inventei de interromper o passeio por 1 dia para comparecer a um compromisso de trabalho em outro país, um lugar que não conheço e cuja língua eu não falo. Talvez eu pudesse até ter ido sozinha, e voltado com uma sensação de auto-suficiência que só as mulheres modernas podem experimentar.

Mas tenho certeza que essa sensação não seria melhor do que aquela que eu senti, tendo sido amparada pela minha dupla, durante a aventura. Começando por um absoluto desprendimento em relação ao fato de que o compromisso de trabalho era meu, e não dele, passando pela disposição em me acompanhar, e pela assunção de toda a responsabilidade para garantir que eu chegaria no lugar certo, na hora certa, e faria bonito na reunião. Da compra dos bilhetes de trem na tal língua, à limpeza da manga do meu casaco - que eu desastradamente sujei de molho minutos antes do compromisso -, passando pelo grande encorajamento para encarar aquele dia que, para mim, era um desafio. Acima de tudo, uma postura que me surpreendeu, a despeito dos vários anos de “conhecimento”.

Se é que ainda existe por aí alguma feminista de plantão, daquelas que dispensa com orgulho o cuidado masculino, que me perdoe. O feminismo nos fez enxergar com naturalidade que determinados papéis, antes só exercidos pelos homens, podem também ser exercidos por nós, mulheres, e vice-versa. Até aí, tudo bem. Mas é importante lembrar que alguns desses papéis estão tão gravados na nossa essência que, quando nos rendemos a eles, e admitimos nossas fragilidades, nada de terrível acontece. Pelo contrário, nos sentimos bem, nos sentimos mulheres, e ainda criamos a oportunidade para conhecer um pouco mais quem está ao nosso lado. Foi justamente em uma dessas oportunidades que passei a admirar ainda mais a minha dupla.

sábado, 6 de março de 2010

Terceirização em casa

Se a expressão “cargo de confiança” fosse associada a uma imagem, ela teria de ser, na minha opinião, a de uma mocinha tímida, de 18 anos, vestida com um uniforme branco. Cada vez mais, meninas com este perfil são vistas nos play-grounds dos condomínios de classe média, shoppings e festinhas infantis, correndo atrás de seus pequenos patrões. Embora tão jovens e inexperientes, são merecedoras da confiança de casais ocupados demais durante a semana, e cansados demais no final de semana, para cuidar da sua prole.

Para quem cresceu com a mãe em casa, em tempo integral, é um bocado difícil entender como é possível delegar poderes para cuidar de um bem tão precioso. O fato é que, abrir mão dessa ajuda significaria se render à inexorável verdade de que a vida com filhos simplesmente não pode ser a mesma. No entanto, vivemos em um tempo em que da mulher se exige que continue fazendo tudo o que fazia antes de se tornar mãe, do trabalho à ginástica. Como o dia continua tendo as mesmas parcas 24 horas, alguma das tarefas têm que ser sacrificadas, não há outro jeito. E é aí que entram as moças do uniforme branco.

Não se trata aqui de uma crítica ao fato em si, mesmo por que, não sou capaz de pensar em uma solução melhor. O que me intriga é como alguns parâmetros são relativizados, quando nos vemos sem opção. Embora hoje em dia ninguém contrate sequer um estagiário que não fale inglês, quando se trata da pessoa que passará 8 horas cuidando do seu filho em idade pré-escolar, uma mocinha recém-chegada do interior do nordeste, com pouca ou nenhuma desenvoltura ou habilidade de comunicação, é um verdadeiro achado.


Se a prática não pode ser criticada, muito menos podem as tais meninas. Geralmente privadas de instrução formal, tão jovens já se amarram às longas jornadas do cargo, por si só incompatíveis com o desejo de voltar para a escola. Embora estejam expostas a ambientes e pessoas com nível de educação muito superior ao seu, e que, em tese, poderiam contribuir para o seu desenvolvimento, raramente alguém, que não as próprias crianças, se dirige a elas, que passam despercebidas em seus uniformes brancos.


Alguns pais não conseguem abrir mão deste conforto nem mesmo nos momentos de lazer, e carregam essas mães terceirizadas a tiracolo, nos finais de semana. Quem nunca se sentiu constrangido ao ver um casal almoçando tranquilamente em um restaurante sofisticado, enquanto a mocinha do uniforme branco, também à mesa e sem comer, se equilibra na pontinha da cadeira tentando fazer o menino comer umas batatinhas?


O preço pago por esta comodidade toda pode ser um pouco mais alto do que o salário que essas moças recebem no final do mês. Ouvi outro dia a história de uma criança que, ao cair no chão, numa festinha infantil, abriu a boca a chorar e correu desconsolada em busca de colo. A mãe, que logo se abaixou, de braços abertos em sinal de acolhimento, só teve tempo de ver o menino passar direto por ela, e se jogar aos prantos nos braços da moça do uniforme. Está aí uma tercerização cujo custo pode ser alto demais.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Céu de brigadeiro

Dizem que Deus tem um plano para a vida de cada um de nós. Acredito nisso. Mais quando vejo algumas coisas inesperadas acontecerem. Menos quando olho da janela do avião e vejo como é pequeninha essa nossa vida, da perspectiva de quem está no céu.

Nesta última semana, encontrei, por alguns caminhos que andei percorrendo, pessoas que parecem ter sido colocadas bem ali, na minha frente, com algum propósito.

Dois homens, um brasileiro, outro estrangeiro, e duas crianças de 3 anos de idade, um menino e uma menina, falando inglês, na fila do embarque da TAM. Ausente qualquer semelhança física com os adultos, presente um laço invisível entre os 4 membros daquilo que em poucos segundos entendi ser uma família. Um tanto alternativa, é verdade. Mas uma família. Dentre as quase 150 poltronas da aeronave, o lugar deles era, justamente, ao lado do nosso. É claro. E se a vida passa bem na nossa frente com a bandeja de docinhos, nos cabe, no mínimo, esticar a mão e apanhar ao menos um brigadeiro. Puxei conversa e em poucos minutos lá estávamos nós, um grupo de desconhecidos, com algo muito profundo em comum. Fomos presenteados comum um belo relato sobre a experiência da adoção, e sobre como, apesar das muitas dificuldades (neste caso agravadas pela peculiar condição dos adotantes) as coisas acontecem quando têm que acontecer. Um belo dia, até o telefone deles tocou. Era hora de buscar os gêmeos, que acabavam de nascer.

Hoje, em outro aeroporto, e outro contexto, lá estava a bandeja de brigadeiro novamente. Reunião de trabalho encerrada antes do esperado, vôos já marcados, tempo para conversar sobre outros assuntos que não os contratos e processos de todo dia. Um diretor com quem trabalho há bastante tempo, por quem tenho profunda admiração profissional e pessoal, compartilhou comigo, inesperadamente, o fato dos seus filhos (sobre os quais já ouvi tantos relatos, apaixonados) serem adotados. Mais uma mostra gratuita e inesperada de valiosas experiências, gasolina para o tanque do entusiasmo, que vez ou outra fica na reserva.

De fato nossa vida, assim como nossas pequenas angústias, ansiedades e problemas, são minúsculos pontinhos, se vistos lá de cima, da janelinha do avião. Isso quando o céu não está nublado como hoje, em que praticamente não se vê nada aqui em baixo. Mas das duas uma: ou Deus está mais perto do que pensamos, aqui em baixo mesmo, ou tem um sistema de visualização ultra moderno, que mesmo lá do alto enxerga nosso coração em detalhe, e, para o qual o céu... é sempre de brigadeiro.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dona Maria

Por muitas vezes nos perguntamos a que veio ao mundo a D. Maria. Desde mocinha, segundo ela mesma conta, pouco uso fez das próprias pernas. Não sei bem como ela e o Sr. João se conheceram, e o que o levou a adotá-la como esposa (sim, este é o termo mais apropriado). O fato é que ele cuidou dela como um pai. Durante 50 anos de convívio, lhe levou o café na cama, fez o almoço e a feira. Até que, há alguns anos, decidiu vagar o posto e foi embora deste mundo para um merecido descanso, deixando a D. Maria por aqui, mais dependente do que a encontrou.

As 2 meninas às quais a D. Maria deu a luz, cuidam dela como se dela fossem mães. Não só agora, mas desde crianças. Nada mais justo do que 2 pequenas mães para alguém que perdeu a sua própria, aos 9 anos, e ainda ficou encarregada de comprar as flores para o enterro. Um trauma cujas conseqüências permearam toda a sua vida, assim como a das pessoas que com ela conviveram.

D. Maria não deixava a filha sair para ir à escola a menos que a menina – com 7 anos de idade – arrumasse e trouxesse alguém para fazer companhia à mãe. Caso contrário, batia a cabeça na parede. Jurava que ia se matar. Dizia que era muito doente, e que não duraria muito. A menina ouvia apavorada, largava os cadernos no chão e voltava para dentro de casa, com medo de ser a causadora de uma tragédia. Tanto ela obedeceu, que D. Maria sobreviveu, e hoje, aos 85 anos, por vezes ainda usa o mesmo argumento.

Curioso como D. Maria jamais perdeu o juízo. Por maiores que fossem os surtos de pânico, sua lucidez em momentos de calma sempre foi invejável. Ou você conhece muitas senhoras desta idade que sabem de cor a escalação do Corinthians?

As filhas não têm um pingo de ressentimento da D. Maria. Ao contrário, cuidam dela com um zelo imenso, que poderia até ser classificado como excessivo, não estivéssemos falando desta figura peculiar. Tenho a impressão de que, assim como a natureza molda a aparência dos bebês, para que despertem nosso instinto de cuidado e proteção, ela parece ter feito com a D. Maria. A despeito de todo o trabalho que ela já deu, e das cenas que ela já aprontou, o seu rostinho tão marcado pelo tempo segue apagando as memórias ruins e aumentando o desejo de lhe proporcionar alegria e bem estar. Desejo este que mobiliza não só as filhas, mas também genros, netos e companhia.

Conheci a D. Maria já no seu (tímido) papel de avó, e a maior parte do que relatei acima me foi contado, e não vivido. O que sei é que hoje ela voltou para casa, de uma curta estada no hospital, e que, pela primeira vez, sua lucidez parece estar dando espaço para alguns episódios de ausência. Com base no histórico, tenho certeza de que é Deus, mais uma vez, trabalhando para poupá-la dos sofrimentos dessa fase da vida.
Tem muita sorte mesmo, essa D. Maria. Pra falar a verdade, nunca foi DONA de nada, nem da própria vida, mas, de um modo ou de outro, sempre teve quem cuidasse desse precioso bem para ela... e com olho de dono!